terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Macacos - Mais um Olhar...

E aqui vai mais um olhar sobre "A Vida Sexual dos Macacos", do colega ator recém formado no DAD, Douglas Carvalho. Valeu!


Assisti tardiamente ao espetáculo A Vida Sexual dos Macacos no dia 17 de janeiro de 2009: reestréia! Depois da peça, pensei: “Por que não vi isso antes?” Texto ótimo, ator ótimo, direção ótima, cenário ótimo, tudo ótimo... Porém, uma dúvida me abateu profundamente: Eu fiz sexo com Daniel Colin? Ou com Felipe Galisteo? Explicando: o espetáculo do início ao quase-fim tem muito do Felipe. Até a composição de Daniel Colin remete a gestos e trejeitos do diretor (claro que só percebe quem conhece o Felipe). Porém, no final da peça, no relato da experiência do personagem em Londres, chego a me perguntar se aquilo não aconteceu realmente com o Colin. Afinal, Felipe não fala inglês, mas Colin fala. A atuação de Colin é tão verdadeira no relato que parece que realmente ele viveu aquela experiência. Ou então, fui enganado direitinho. Mas essa é umas das dúvidas que eu gostei de ter e não quero que ela seja sanada...

Fora isso, os distanciamentos necessários foram extremamente bem executados, com um macaco nada convencional interrompendo ou “auxiliando” o protagonista. O cenário é limpo, colocando o excelente Daniel Colin em evidência. Efeitos extremamente teatrais são de tirar o chapéu, como a neve que cai em pleno palco. A cena da festa e da primeira experiência sexual do personagem foram vistas no corpo de Colin naquele espaço vazio. A iluminação é excelente, contribuindo para criar atmosferas na peça. Isso tudo com os poucos recursos que deu para notar quanto aos refletores existentes na sala 309 da Usina do Gasômetro. O texto de Felipe é excelente, saindo do convencional de fazer um apanhado geral de clichês, optando pelo humor inteligente e divertido.

A interação com a platéia merece destaque. Daniel Colin sabe exatamente qual será a reação da platéia em determinada ação. Ele nos tem na mão. E sabe nos conduzir para onde ele quer. Tanto é o seu controle que, ao final da peça, ele nos solta propositalmente, nos deixando sem chão com seu relato, emocionando-nos e querendo assistir a mais uma hora e meia de espetáculo.

Mas, em se tratando da dobradinha “Felipe-Colin” o fato de o espetáculo ser bom é natural ou cultural? Vale a pena conferir n'A Vida Sexual dos Macacos, em cartaz na Usina do Gasômetro, de 17 de Janeiro a 08 de Fevereiro, somente sábados e domingos, às 19 horas. Por que vale a pena? Pelo texto, pelo ator, pela direção, pelo cenário, pela iluminação e pela bela cena de nudez do macaco... Aliás, quanto ao macaco, pergunto-me como seria a nossa vida se o Homo Habilis tivesse evoluído também, assim como o Homo Sapiens...
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