segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Opinião sobre "A Noiva Quer Casar"



Acabamos de ler um post do blog BibliotecaInfinita sobre o nosso "A Noiva Quer Casar" e achamos muito legal a perspectiva com a qual o Manuel Estivalet encara o espetáculo, principalmente sobre a questão dos tipos de sequência. Leiam e comentem se concordam com o cara ou não:





"Há alguns meses, vinha embalado no teatro de rua do Oi Nóis e do Oigalê. Estava feliz por saber que tem bom teatro de rua no RS. Daí, resolvi assistir duas peças do circuito nacional. E fiquei mais feliz ainda por saber que o teatro de rua do RS é muito bom, um dos melhores do país. E, no domingo passado, fui à "Noiva quer casar" do Teatro Sarcáustico (Sarcáustico de novo? Se for pouco, eu posso comentar ainda o "Intencidade 1ª" e "Há vagas pra moças de fino trato"). Ri bem, afinal, confirmei que o RS está entre os melhores em espetáculo de rua no país.

Confesso que eu teria algumas sugestões, mas deixo isso a quem compete, eu sou um incompetente. E, o interesse desse blog é por literatura, então vou falar continuar colecionando anotações para escrever melhor.

Tenho por princípio, que a ação deve ser significativa o suficiente para dispensar o narrador. Mesmo quando lemos uma prosa, a estória deve envolver-nos a ponto de esquecer da narração. Aí o Sarcáustico me surpreende. Até a primeira virada, narrar é fundamental para construir a trama da Noiva. E funciona, é dinâmico e engraçado. Faz muito sentido ter uma narração, afinal, parte da comicidade da peça consiste em ironizar a própria peça enquanto peça (os personagens param para arrumar a cena, refazer a encenação, reconhecem que estão sendo assistidos...). Tenho que repensar meus princípios.

Quanto ao enredo, me deu medo quando vi o Guto cair. Suspirei comigo mesmo, o que estão fazendo? Por que isso está acontecendo? Uma situação que rompe com a ordem natural dos acontecimentos, pensei que iriam se emaranhar no enredo e perder o fio, um fato deslocado sempre desencaixa o espectador. Mas, não, era a segunda virada (eles chamam de 2ª virada, eu acho que o Syd Field chamaria de pico). E a queda de Guto dá início a uma nova sequência de fatos. Fiquei feliz, o roteirista estava orientado.

No entanto, gostaria de chamar a atençao para um assunto. Há dois tipos de sequência: a mera sucessão de fatos e o efeito dominó. Na primeira, um acontecimento vem após o outro. Na segunda, um acontecimento desencadeia o outro. Em "A noiva quer casar", pelo menos o tropeço na escada e os comprimidos me pareceram fatos que se sucediam. Estavam bem, porque haviam sido costurados. Mas, minha opção seria por disparar um dominó.

Sem mais a dizer, ainda fico rindo comigo mesmo por causa do loco mia. Espero pela próxima oportunidade para assistir."
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