sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Hohlfeldt escreve sobre JOGO DA MEMÓRIA

Pessoal, hoje saiu no Jornal do Comércio-RS a crítica que o Antônio Hohlfeldt escreveu sobre o nosso JOGO DA MEMÓRIA. Dêem uma lida abaixo e vejam se concordam com ele.
Ah, em tempo: hoje fizemos um levantamento de borderôs e descobrimos que o JOGO, nesse 1 ano de existência, foi assistido por mais de 6.800 espectadores, sendo que 6.000 foram crianças! Maravilha!!!

Foto: Divulgação/PMPA


Um jogo para emocionar



Jogo da memória é dessas boas peças dirigidas às crianças, nem tão pequenas assim, e que agradam também aos adultos. A peça tem a qualidade de trabalhar com um vocabulário e algumas experiências que são verdadeiramente universais. Valendo-se de um flash-back, o narrador relembra os momentos de infância quando, aos 12 anos, por motivos de mudança de seus pais da cidade em que morava, perde seus melhores amigos, três meninos e uma menina. A partir de então, a peça retorna ao passado e temos uma narrativa dentro de outra narrativa, técnica que o dramaturgo volta a se valer, mais ao final da peça, quando ainda uma terceira história é introduzida.

Isso que poderia gerar confusão e dificuldade de compreensão, contudo, é tratado com muita objetiva e um bom controle do dramaturgo, de modo que cada história vai tendo o seu desfecho e, ao final, a gente se dá conta que a meta do escritor foi atingida: ele conseguiu falar de sua infância de modo a falar da infância de todos nós que ali nos encontramos.

Em geral, estas situações em que um autor é também diretor da peça e, ainda por cima, seu intérprete, alcança péssimos resultados. Não é, contudo, o que ocorre aqui, talvez porque o Teatro Sarcáustico tenha o mérito de trabalhar verdadeiramente em grupo. O cenário coletivo, diga-se de passagem, é tão simples quanto bem instrumentalizados: algumas lonas esticadas, como camas de campanha, trocadas de lugar e de posição, servem para se projetarem sombras chinesas ou separarem espaços variados, quando não os criam, mesmo. Há uma bonita fantasia em todo o trabalho, o que dá uma dinamicidade e um sentido de verdadeiro, garantindo sua comunicabilidade, que é um dos elementos essenciais para o teatro dirigido às crianças.

O elenco trabalha unitariamente, e nem mesmo a deficiência física apresentada em cena, a gente consegue descobrir se é da personagem ou do ator. Essa verdade interna de todo o trabalho emociona e mesmo que inconscientemente, envolve a platéia que acompanha, com curiosidade, quando não com torcida, as peripécias dos garotos, quando eles fogem de casa em busca de um lugar em que poderiam constituir sua própria comunidade: afinal, “eles já eram quase adultos”.

O cuidado com a linguagem verbal compreensível; a atenção para com imagens e referências acessíveis. O respeito para com o espectador, na medida em que se joga com ele, provocando-lhe a curiosidade e tomando-lhe a atenção, tudo isso faz de Jogo da memória um belo espetáculo que, não por acaso, recebeu premiações no ano passado, quanto estreou em primeira temporada: Melhor Direção, Melhor Ator Coadjuvante – o próprio diretor – Melhor Cenografia e Melhor Dramaturgia.

A encenação, ritmada, contínua, inteiramente aberta às vistas da gurizada, encanta exatamente porque reproduz, com fidelidade, a perspectiva lúdica que sempre nos envolve e emociona. Daí o resultado positivo, animador, deste trabalho, que mostra, uma vez mais que teatro para crianças exige, sobretudo, respeito para com a criança, e nada mais.

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