segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Wonderland por Aline Grisa

Aline Grisa (Mestre em Artes Cênicas - PPGAC/UFGRS), como alguns devem saber, já fez parte do Teatro Sarcáustico e trabalhou em 3 espetáculos do grupo: como atriz em "GORDOS ou somewhere beyond the sea" e "IntenCIDADE 1: VOAR", além de ter sido a assistente de direção do "Jogo da Memória". Atualmente, Aline está radicada em São Paulo, onde fundou a Cia. Relicário, com os também gaúchos Cintia Muller, Fernando Martins e Rodrigo Pessin.
Pois bem, a Aline escreveu alguns comentários sobre "Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá" e é com muita honra que postamo-los abaixo.




"O novo espetáculo do Teatro Sarcáustico nos surpreende já no primeiro minuto quando somos abordados por um artista que sobre 'trampoli' nos convida a espiar e depois entrar neste mundo desconhecido e inusitado. Assim, somos 'Welcome', 'Welcome', 'Welcome'!

A conhecida figura de Michael Jackson e parte de sua história nos aproxima deste mundo sedutor, logo nos identificamos com ele e somos conduzidos a metáfora do próprio artista em busca de identidade. Durante a encenação nos deparamos com as barbaridades realizadas pela indústria cultural e somos imersos em críticas coerentes à nossa sociedade completamente consumista e capitalista.

Podemos entender esta peça como um belo desabafo do próprio grupo que de forma bastante particular e criativa, sabe sobre o que e a quem quer falar. E fala cada vez mais e com maior propriedade.

Gostaria de destacar aqui os pontos altos desta grande produção do Teatro Sarcáustico :

- As coreografias de Diego Mac – que além de serem muito bem executadas pelo elenco, ocupam o espaço de forma extraordinária.

- Os figurinos de Daniel Lion – que dão brilho especial a esta montagem.

- As músicas de Artur de Faria – que inusitadamente são realizadas ao vivo e propositalmente fogem do clichê de reproduzirem alguma música de Michael.

- A dramaturgia de Felipe Galisteo e Daniel Colin – que trabalham muito bem com as referências e nos presenteiam com Cenas de releituras inéditas: como a 'Cena do Chá'.

- A composição, os intérpretes do Michael Jackson nas diferentes fases e as soluções de troca de um para o outro – é surpreendente a semelhança do primeiro e do último Michael com o 'ídolo pop real', dando inclusive força as fases de transformação.

- A direção de Daniel Colin – que consegue orquestrar um elenco numeroso, conduzindo a um trabalho essencialmente coletivo (onde a força da interpretação se dá pelo conjunto). Além disso, a partir das técnicas que aplica e domina (como Viewpoints), Daniel, constrói belas imagens cênicas, inclusive trazendo contraposições e misturas de climas, como na “Cena de Tortura”.

Sendo assim, o Teatro Sarcáustico com 'Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá' reafirma a sua forte identidade como grupo que conquista definitivamente os palcos do Sul e deve alçar vôos cada vez maiores. Pois é difícil encontrarmos em nosso país, um grupo e um espetáculo como este que nos faz sair do teatro com a certeza de que temos produções de grande qualidade que merecem ser prestigiadas por outros públicos, uma vez que encanta e apaixona seus espectadores. Vida longa é o meu desejo! Parabéns! Aplausos (em pé)!"

Aline Grisa – Mestre em Teatro pelo PPGAC – UFRGS , professora e atriz da Cia. Relicário – São Paulo.
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