sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Breves comentários sobre as "Breves Entrevistas..." - Parte VI







Tensão e pressão


"Saí de Brasília já programada pra assistir Breves Entrevistas com Homens Hediondos, acompanhei pelo facebook, os comentários, a divulgação, digamos que me preparei pra receber o espetáculo, sabia que era composto de textos fortes e boas atuações. Pois bem, me levei ao teatro e mais algumas pessoas comigo. O teatro de arena é uma pérola na história do teatro em Porto Alegre, lugar de resistência, ainda hoje e ainda bem, que comporta projetos de pesquisas de grupos competentes e criativos. Na chegada, pessoas queridíssimas, aconchego entre abraços e encontros: Lisiane, Cassiano, Paulo, Casemiro (eu conheci o Case criança... ah o tempo passa, as crianças crescem, eis a vida). Adentro ao teatro. Sento na primeira fila, que estava vazia. Sim e por que não? Ficar próximo aos atores, quase dentro, quase desprotegida, muito curiosa de tudo. Adentro o espetáculo. Ruídos, odores, a vontade de sentar no chão, pegar uma daquelas cervejas, me lambuzar e me perder naquele subterrâneo visceral... ah Johnny Bracinho e os risos nervosos da platéia. A pouca luz, o tom esverdeado que me levou ao limo daquele buraco, e chamo de buraco porque em mim se abriu um, fundo, úmido, estranho. É incrível como a arte pode nos levar a tantos lugares subjetivos e tão concretos nas imagens construídas que criamos, entender esse mistério dos sentimentos entranhados em nossa psique e mais, nesse processo complexo abrimos a caixa de pandora e os demônios saem dançantes pelo espaço, espaço tantas vezes familiar, porém novos em cada olhar. Para tanto, é preciso entrega, e a entrega vem de mãos dadas com a crítica, e os pontos de interrogação que também dançam de “parzinhos” nessa atmosfera do entendimento... aff, me segure! Eu me entrego! Ah, não me veja, vestido de bolinhas, ah não me fale de homens, estou com o meu amor ao meu lado, ah não me entregue, não me desnude, ai que medo, ah ta bom, eu me rendo! Agora, por favor, tire esse frio da minha barriga! Meu riso sai envergonhado, eu transbordo e derreto naquele banco vermelho, eu amo, eu odeio, eu me misturo, vocês me agarram, eu danço junto, eu esbofeteio, sou esbofeteada. Pra que me fazer rir do ridículo previsível das relações? Cadê o texto do Daniel Colin, ah é agora, vamos ver... eu morri! Por que fazer isto comigo? Sua face de dor, provoca meu choro. Saio embebecida daquela experiência. É o primeiro trabalho do grupo que assisto. Eu fiquei tocada com a disposição do elenco, atores tão jovens e tão fortes, tão cheios de si, a força que emerge do corpo que faz de um ator uma estrela brilhante, a força do texto, a força de equipe. Eu chorei porque me emocionou todo este contexto, porque amo o teatro, porque sinto falta, porque sei que este precisa de muita crença, muita entrega de ser e trabalho. Porque é lindo nosso ofício, desgastante, catártico, mágico, possível.Tive alguns momentos de brigas. Não entendi as projeções, mas aceitei e ressignifiquei a fragmentação dessa da imagem, quase uma desconstrução, uma deformação. Acho que nessa era, nunca fomos tão visuais e fragmentados, também por isso essa vontade de apropriação de recursos como o vídeo pra somar ao universo teatro que é visual, instantâneo e que ainda temos tanto a explorar, mas enfim, também penso que, nem tudo precisa ser esclarecido, respondido, cabe a cada um, deixar-se tocar ou não. Parabéns Sarcáusticos! Vida longa! Merda! Se sabemos alguma coisa de merda é a merda que produzimos. É de dentro! É legítima! Muita Merda pra vocês!" (Janaína Mello, atriz, produtora cultural e assessora de imprensa, via email)
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