sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pensando Sobre a Alice de Tim Burton


Inegavelmente e invariavelmente, vou ao cinema com expectativas. Boas ou ruins, sendo a segunda opção mais rara, visto que não gosto da sensação de ir ao matadouro, que é como me sinto vendo um filme detestável... Enfim. Estou dizendo isso porque, logicamente, cheguei repleto de expectativas para ver Alice no País das Maravilhas, do Tim Burton. O filme, inspirado (mesmo?) na obra de Lewis Carroll, era sem dúvida o mais esperado deste ano, pois se me lembro bem, era início do ano passado e eu já recebia informações de todos os tipos a respeito desta produção. Aliás, um bombardeio tão excessivo de informações que chegou ao ponto de me enjoar. Antes mesmo de estrear, o filme já causava alvoroço: multidões de fãs de Lewis Carroll e Tim Burton diziam que o casamento perfeito estava por vir... E ainda tinha o Johnny Deep e a Helena Bonham Carter no elenco! Precisa de mais? A moda definiu: outono, inverno, verão, primavera, na importa: Alice na cabeça! E todos falavam da pequena menina que caia num buraco, porque resolveu correr atrás de um coelho de casaco, e encontrava um mundo repleto de non sense e ironia... Bueno... Acertaram em cheio do marketing, como é de praxe no processo da indústria cultural, mas erraram feio no filme! Ah, erraram... Quando me disseram: olha, achei o filme meio superficial... Bonito, mas meio superficial...Pensei: tá, ok. Talvez não seja grande coisa. E quando saí do cinema, fiquei me perguntando: MEIO SUPERFICIAL? E CADÊ A OUTRA METADE, A MEIA PROFUNDIDADE??? Tchê, é sério: como eles conseguiram transformar uma obra tão complexa num apanhado de clichês baratos??? Caraca, não, não... Não! Não precisava... Não precisava transformar personagens paradoxais em mocinhos e bandidos... Não precisavam transformar a Alice numa heroína de filmezinhos de dragões de fogo do mal! Fui ver Tim Burton e vi apenas a casca.Parecia um filme do James Cameron (chato de merda!) Fui ver Alice e vi, sei lá... Pensem em qualquer baboseira de luta do bem contra o mal, com trilha sonora que sublinha o filme inteiro, pra fazer você pensar: bah, que cena emocionante, e não... Não é emocionante! Fiquei severamente constrangido em alguns momentos... CONSTRANGIDO! Há passagens do roteiro que são simplesmente pedantes, chatas e repletas daquilo que chamamos “politicamente correto”, o que na arte, é um saco, na maioria das vezes. Sério, nem o Johnny Deep se salva, por mais que se desdobre, por ser um excelente ator, mas seu personagem é um porre!!! Felizmente Helena Bonham Carter nos diverte em várias de suas cenas, mas de resto... Até a trilha do maravilhoso Danny Elfman (excetuando o tema principal), é de uma pieguice sem fim! Clichês sobre clichês, num roteiro óbvio, que é tudo o que a obra de Lewis Carroll não é... Gosto do Tim Burton, mas desta vez ele errou a mão. Todos erraram... Não era necessário fazer isso com Alice no País das Maravilhas. Mesmo para uma produção da Disney – é só olharmos o desenho dos anos 50 para ver que não é necessário digerir tão mastigadinho esta obra e transformá-la numa coisa insípida, só pra ver se as pessoas gostam mais... Acabaram por fazer uma obra que, pela sensação que tive das pessoas ao saírem do cinema, não agrada ninguém! Nem os fãs de Burton, muito menos os de Carroll, e nem mesmo aqueles que foram simplesmente procurar boa diversão no cinema. Sem contar que os efeitos 3D também não são grande coisa. Antes tivesse visto o filme do modo tradicional. Teria gasto menos dinheiro e me irritaria menos, eu acho... Eu poderia descrever mais coisas que não gostei do filme, mas estaria o descrevendo demais, e detesto quando me contam o filme antes de ver... Portanto, vão ver e tirem suas próprias conclusões, que as minhas eu já tirei, e elas foram péssimas. Realmente não gosto de me sentir assim quando vejo uma obra de arte... Não gosto de detestar uma coisa, e depois escrever sobre ela – até porque não sou crítico. Mas eu tinha que botar pra fora de alguma maneira, porque me fez mal. Engraçado... Talvez este seja o único paradoxo do filme: ele é feito pra que você digira bem direitinho, mas acaba ficando aquele embrulho no estômago, sabe? Aquela sensação de “por que não fiquei em casa lendo Alice no País das Maravilhas ou Através do Espelho, de Lewis Carroll?” Eu sei que um livro não é igual ao filme... Mas quando os dois são bons, quem se importa com isso? No caso deste filme... Bem. É. Leiam o livro. Vocês ganham muito mais...

por Felipe Vieira de Galisteo
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