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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Destaques em Teatro 2012, por Daniel Colin

Todo mundo faz uma lista dos melhores do ano em qualquer coisa que lhe agrade... Bem, comigo não poderia ser diferente. Assisti a trabalhos impressionantes em 2012 e gostaria de fazer uma retrospectiva destas experiências boas, fossem agradáveis ou não. Abaixo, eu listo os destaques em teatro pra mim em 2012, ou seja, tudo aquilo a que eu assisti em Porto Alegre ou em outras cidades. 
Ah, e já aproveito pra desejar um ótimo 2013 - que nosso ano seja repleto de trabalhos tão inspiradores quanto estes!!!

* * * * *

LUÍS ANTÔNIO-GABRIELA (SP) – O “documentário cênico” da Cia. Mungunzá (SP), com direção de Nelson Baskerville, esteve em Porto Alegre no 7º Palco Giratório do SESC/RS. Eu, particularmente, já havia tido a oportunidade de assisti-lo em São Paulo e, desde lá, a obra tinha “devastado meu coração”, como costumo comentar com amigos. Partindo de um pressuposto absolutamente impactante - e corajoso! -, Baskerville consegue, não somente (re)contar sua trajetória familiar de modo sensível e tocantemente sincero, como também o faz de maneira incrivelmente criativa. Cenas inesquecíveis vão surgindo em minha memória: a briga dos pais na Rural (minha preferida!), os “balões-com-palavras” de Nelsinho, a dublagem grotesca de Gabriela, o discurso Mickey/Minnie de Bolinho, o espancamento de Luís Antonio pelo pai (“Nelsinho, meu filho, coloca uma música para o pai...”), dentre tantas outras. As cenas em sua maioria são surpreendentes, emocionais, performáticas, singelas. Invejavelmente maravilhosas! A dramaturgia do espetáculo tem a árdua tarefa de construir uma obra-relato de modo interessante e o faz extremamente bem, recheada de frases e discursos que nos fizeram refletir e nos emocionaram. Se há um comentário desfavorável a ser feito ao espetáculo é a disparidade do elenco: de um lado temos a entrega absoluta de Marcos Felipe e a sinceridade da performance de Verônica Gentilin, enquanto de outro temos atores que por várias vezes parecem teatrais demais, declamados demais, nos distanciando da proposta cênico-performática estabelecida por Baskerville. Mas é um detalhe insignificante diante da potência política que “Luís Antonio-Gabriela” representa para o teatro brasileiro contemporâneo. 



INCIDENTE EM ANTARES, INÊS MAROCCO e MARTINA FRÖHLICH (RS) – Inês Marocco e o Grupo Cerco conseguiram realizar outro espetáculo incrível a partir da obra de Érico Veríssimo – o primeiro deles, “O Sobrado”, já havia conquistado crítica e público há alguns anos. Em “Incidente...”, Inês se aproveita de um elenco jovem e bastante vigoroso para criar uma obra criativa e deliciosamente irônica, que foi infeliz e injustamente esquecida pela comissão do Prêmio Açorianos deste ano, que entregou ao espetáculo o Troféu (consolação) de Melhor Trilha Sonora (excelente aliás...). Só o impacto e a sutileza dos papéis picados vindos dos atores já é de se aplaudir em cena aberta (me lembrou a cena da lama do excelente “Amores Surdos” do Espanca! de Minas Gerais, lembram???). O destaque do elenco, a meu ver, fica para Anildo Micheloto, Celso Zanini, Isandria Firmiano e, sobretudo e especialmente, Martina Fröhlich, sobrenaturalmente ótima como Quitéria Campolargo. Seu trabalho corpóreo-vocal serão certamente lembrados por mim por vários anos. 



OS PLAGIÁRIOS e DIONES CAMARGO (RS) – Esta (mega-)produção é destaque em 2012 por vários motivos e o principal deles é o fato de ser resultado da parceria de quatro importantes grupos teatrais de Porto Alegre (Teatro Sarcáustico, Santa Estação, Falos & Stercus e Caixa do Elefante); encontro este possibilitado pelo Porto Alegre em Cena através do projeto Conexões em Cena. Outro motivo é o detalhe de ele ser o último grande espetáculo realizado no Centro Cenotécnico, o qual será demolido em algumas semanas lamentavelmente. “Os Plagiários” era uma peça por vezes longa demais, com atores por vezes crus demais (com algumas exceções como a sempre ótima Gabriela Greco) e com soluções cênicas por vezes “partiturizadas” demais. Mas tínhamos a trilha de Arthur de Faria e a dramaturgia de Diones Camargo, a qual é inteligente e, por muitas vezes, complexa demais, mas faz muito juz à obra de Nelson Rodrigues (ainda não sei exatamente se é o trabalho pelo qual o Diones deveria mesmo ter ganho o Açorianos - tendo em vista seus textos anteriores, sobretudo “Andy/Edie”, o melhor! -, mas ainda assim é um Prêmio justo que vem valorizar o trabalho de Diones, um dos dramaturgos mais interessantes da nova geração gaúcha). E temos também a cenografia e os figurinos de Daniel Lion, que são de um bom gosto invejável, como sempre. 



ROMEU E JULIETA (MG) – Foi uma grande honra poder finalmente assistir à obra prima do Grupo Galpão, remontada com quase o mesmo elenco de 20 anos atrás e em sua última apresentação no Brasil, em Caxias do Sul. Foi surpreendente perceber que tudo o que havíamos estudado e escutado sobre a peça fazia justiça à grandeza da mesma: cenas lindíssimas, atores a ponto de bala, apesar da idade (os 20 anos a mais fizeram diferença para a maioria do elenco e isso também foi emocionantemente lindo de ver...), direção delicadíssima do Gabriel Vilela. Enfim... Várias pessoas da classe teatral gaúcha (Porto Alegre, Caxias, Gramado, Osório, Montenegro etc) estavam presentes e choravam de emoção. Isso por si só já diz muita coisa... Inesquecível!!! 




ADEUS À CARNE (RJ) - Outra peça que gerou vários comentários polêmicos, foi o maravilhosamente prepotente “Adeus à carne”, de Michel Melamed. Eu mesmo participei de, pelo menos, umas quatro discussões sobre esta obra, com defensores e detratores dialogando com afinco. Particularmente, são esses os trabalhos que mais me empolgam discutir: aqueles popularmente conhecidos como “ame-o ou deixe-o”, cujo resultado suscita paixões acaloradas. A meu ver, o espetáculo é impactante. E previsível. Questionador. Profundo e superficial. Irônico. Vanguardista e démodé ao mesmo tempo. Déjà-vu de Bob Wilson. Despótico e inquietante. São tantos os adjetivos que posso associar a “Adeus à carne”... Um desfile “despirocado” de uma escola de samba desgovernada, (pre)disposta a atropelar quem estiver passando pela sua frente durante aqueles 80 minutos de passarela. Esta é a sensação alarmante que o espetáculo traz ao público, que assiste atônito à obra. Extremamente pedante, “Adeus à carne” não pede licença e vai tirando sarro do que puder para criticar o que considera violência no Brasil nos dias de hoje. E o faz muito bem! Saí do Theatro São Pedro com a sensação de ter visto um bravo espetáculo, feroz e profundamente impressionante – e que me agradou muito!!! – mas que, ao mesmo tempo, era “frio e calculista”, com todo o clichê que esta expressão pode abarcar. De qualquer modo, um espetáculo a ser analisado e discutido por mais e mais vezes. 



URSULA COLLISCHONN em O LINGUICEIRO DA RUA DO ARVOREDO (RS) – Foi uma grata surpresa assistir – e dirigir! - a Ursula em seu primeiro papel como protagonista, interpretando a controversa Catarina Palse. O processo foi árduo e pesado para ela, mas o resultado não poderia ser mais saboroso: a Catarina de Ursula conseguia ser profunda, frágil e ameaçadora em nuances bastante delicadas. Isso sem falar sobre a voz da atriz, que estremece cantando “Meine Hände” no solo final do espetáculo (e, sobre a sua voz, quem não se lembra dela cantando “Smile” de Charlie Chaplin em “Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá”???). 

Foto: Renata Ibis




VILA TARSILA (SP) - “Vila Tarsila” foi um trabalho encantador por ser um dos espetáculos infantis mais inventivos e intrigantes que tive a oportunidade de assistir em muitos anos. Cristiane Paoli Quito, diretora do espetáculo, foi muito bem-sucedida, não somente na proposta educativa do mesmo, como na obra propriamente dita: a cada cena que o trabalho propõe aos espectadores, somos surpreendidos por transposições extremamente interessantes da obra de Tarsila do Amaral para os palcos, com especial destaque para os “Abaporus”, que simplesmente mereciam aplausos em cena aberta. A trilha sonora do espetáculo e os bailarinos são eficientes e contribuem para a ótima evolução do trabalho. A belíssima cena dos balões verdes representam o que o espetáculo tem de mais singular: ele consegue extrair efeitos incríveis de detalhes simples e sutis. Tal e qual a obra de Tarsila. 



JÚLIA (RJ) – Christiane Jatahy é definitivamente uma diretora intrigante por trazer à cena uma discussão bastante pertinente: o diálogo existente entre as artes cênicas e o cinema e suas possíveis articulações. Por um lado, ela é muito feliz em construir cenas interessantes, que mesclam perfeitamente a cena teatral com as imagens projetadas ao vivo, com uma excelente qualidade técnica. Por outro, revela – talvez sem querer – a maior dificuldade que ela, enquanto diretora, pode encontrar nesse diálogo “cinema x teatro”: atores cujas atuações seduzem no vídeo, mas perdem força total quando estão em cena, desprovidos do artifício da gravação, inclusive sem projeção de voz, por exemplo. Como articular interpretações tão díspares, a cinematográfica e a cênica? Talvez seja o maior nó na pesquisa de Jatahy... 



MARIUS VON BAYENBURG por O FEIO (RS) – Em 2011 pudemos conhecer a obra de Marius através da encenação de “Parasitas”, pela Cia. Vai! e com direção de João Madureira. Neste ano, nos deparamos com mais uma saborosa obra deste dramaturgo alemão, extremamente contemporâneo em sua temática e em sua estrutura narrativa, cujo maior mérito é ser destaque por si só, independente da encenação. A direção de Mirah Laline contudo é bastante dinâmica e encontra no coeso elenco aporte necessário para dar corpo às elocubrações de Von Bayenburg, com destaque para Paulo Roberto Farias. Certamente um dos melhores espetáculos acadêmicos que o DAD produziu nos últimos anos. Que venham mais textos arrebatadores desse puta dramaturgo! (Em tempo: A Oigalê encenou o texto “Cara Queimada” de Von Bayenburg sob direção de Arlete Cunha no início dos anos 2000, mas infelizmente não pude conferir na época). 



MÃE CORAGEM (Alemanha) – Simplesmente sensacional a oportunidade de poder assistir ao trabalho do mítico Berliner Ensemble, de poder vivenciar o que a teoria já havia me apresentado há alguns anos e de poder humildemente discordar de várias opções do diretor Claus Peymann. Blecautes demais, careta demais, chato demais... Não importa! Um dos maiores destaques do ano é a atuação de Carmen-Maja Antoni, principalmente na cena em que a Mãe não pode revelar que aquele cadáver à sua frente é o de seu próprio filho. Devastadora! 



DANI BARROS em ESTAMIRA – BEIRA DO MUNDO (RJ) – Puta merda! Raras vezes temos a chance de presenciar uma interpretação tão memorável quanto a de Dani Barros em Estamira (por exemplo, agora, de imediato, só me lembro da Georgette Fadel em “Gota d’água”, um desbunde como Joana...). O espetáculo em si é mero pretexto para nos sensibilizarmos com a sinceridade da proposta cênica e, mais ainda, com o furacão que é Dani Barros em cena. Extremamente técnica, mas também passional na mesma intensidade, a Dani consegue comprovar que uma atriz pode, sim, mesclar o emocional e o racional sem perder a qualidade na atuação. Além do mais, derrubou qualquer um daqueles discursinhos chatos que ouvimos por aí do tipo “ai, não aguento mais ouvir histórias pessoais no teatro e bla bla bla”. Quem não se emocionou com a ponte que o espetáculo conseguiu articular entre a Estamira e a mãe da atriz que se aposente. Ou faça melhor! 



LIANE VENTURELA em ECO-ANJOS DE NATAL (RS) – O trabalho é uma performance cênica bastante simples, apresentada na Vila de Natal do Natal Luz de Gramado. Mas é impossível não sair tocado com a vovó interpretada por Liane Venturela, sem sombra de dúvidas, uma das melhores atrizes gaúchas atualmente, se não A MELHOR! Ao explicar a receita de um biscoito de goiabada, Liane cativa nossos corações e nos leva delicadamente pelas mãos como somente grandes artistas conseguem fazer. Detalhe: a cena dela não dura mais que 10 minutos. Menos é mais, com toda a certeza!

Foto: Cleiton Thiele

domingo, 19 de agosto de 2012

Projeto estreita laços entre premiados no Braskem em Cena



Gabriela Grecco (Cia. Santa estação), Mário de Ballentti (Caixa de Elefante), Guadalupe Casal (Teatro sarcáustico), Marcelo Réstori (Falos & Stercus), dramaturgo Diones Camargo e Luciano Alabarse, coordenador do Porto Alegre em Cena<br /><b>Crédito: </b> Fabiano do Amaral
Gabriela Grecco (Cia. Santa estação), Mário de Ballentti (Caixa de Elefante), Guadalupe Casal (Teatro sarcáustico), Marcelo Réstori (Falos & Stercus), dramaturgo Diones Camargo e Luciano Alabarse, coordenador do Porto Alegre em Cena
Crédito: Fabiano do Amaral
"Conexão Braskem em Cena" é um projeto inédito foi lançado na noite desta quinta-feira, no Santander Cultural, com a presença da comunidade artística e patrocinadores, dentro do 19º Porto Alegre em Cena, que ocorrerá em setembro, sob a coordenação de Luciano Alabarse. A iniciativa é patrocinada pela Braskem, que completa sete anos de parceria com o festival, premiando os talentos locais em cinco categorias (Espetáculo, Direção, Atriz/Bailarina, Ator/Bailarino e Espetáculo pelo Júri Popular).

A ideia surgiu a partir de uma provocação do diretor institucional da empresa, Rui Freire, no sentido de dar uma continuidade e fazer com que o Prêmio Braskem se tornasse um processo de aprendizagem. "Foi muito feliz reunir grupos de várias linguagens e um desafio focar esta sinergia e construir uma obra que é um sucesso à parte, no centenário de nascimento de Nelson Rodrigues", afirmou.

A proposta é construir um espetáculo baseado na obra do "Anjo Pornográfico", escrito por Diones Camargo, encenado pelos quatro vencedores do ano passado - Falos & Stercus, Santa Estação Cia. de Teatro, Teatro Satrcáustico e Caixa do Elefante - com a direção de Marcelo Réstori, Jezebel de Carli, Guadalupe Casal de Mário de Ballentti. "A proposta é que tenha impacto, com texto inédito, interpretado por grupos importantes, que há meses estão trabalhando juntos", diz Alabarse.

"Algumas cenas foram divididas e outras foram feitas juntas e levamos um tempo para exercitar o diálogo", contou Marcelo Réstori, do Falos & Stercus, que tem se afirmado pela fisicalidade e o uso de técnicas como o rapel. À frente da Cia. do Elefante, com 20 anos de trajetória, Mário de Ballentti, ressalta a variedade de linguagens do teatro gaúcho, percebida em festivais como o Cena Brasil, segmento Cena Gaúcha, que ocorreu em Goiânia e Brasília. "Talvez por estar longe do eixo Rio de Janeiro-São Paulo é que ainda persiste um trabalho de grupo, bom para desenvolver linguagens. Isto só se consegue após muitos anos, com uma indentidade", frisa. As reuniões tiveram início em fevereiro e em abril os 25 atores envolvidos cursaram oficina com o ator Nicolai Sergei, do Theatre du Soleil, sendo seguidos os ensaios, de maio até a estreia. Intitulado "Os Plagiários: um Inventário Ficcional Sobre Nelson Rodrigues", o resultado será apresentado de 5 a 7 de setembro, no Centro Cenotécnico do Estado.

Para o autor desta montagem, o bacana foi realizar um antigo sonho, ao montar Nelson Rodrigues. Inicialmente chamado para fazer uma colagem de suas obras, Diones Camargo sugeriu "Vestido de Noiva", usando os três planos: alucinação, realidade e memória. Mas aos poucos decidiu que o repórter que está entrevistando o dramaturgo é um escritor sem talento: pesquisou tanto sobre ele, que tentou escrever uma obra com a mesma potência, mas não conseguiu, o que explica o título da peça. "Normalmente um diretor já dá trabalho, e quatro é muito pior", declarou. "Escrevo para teatro e estamos falando do representante maior do teatro brasileiro, com toda a justiça", concluiu. 

Fonte: Vera Pinto/Correio do Povo

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Porto Alegre em Cena: Prêmio Braskem

Por que ver os espetáculos gaúchos no Porto Alegre em Cena? Resposta: porque a qualidade das produções gaúchas não deixam a desejar se comparadas às outras nacionais e até mesmo às internacionais. O público do Em Cena deve estar bastante consciente disso, pois a maioria dos espetáculos já estão com os ingressos esgotados. De qualquer modo, coloco abaixo as qualidades de cada um dos 10 espetáculos gaúchos que estão concorrendo ao Prêmio Braskem em 2011:


* Por que ver "9 MENTIRAS SOBRE A VERDADE"? Porque Diones Camargo mostra o porquê merece, mais uma vez, a alcunha de dramaturgo gaúcho mais cultuado dos últimos anos! Isso sem contar a atuação de Vanise Carneiro (Prêmio Açorianos de Teatro de Melhor Atriz 2010), muito bem, interpretando a atriz de cinema Lara.




* Por que ver "A MULHER SEM PECADO"? Porque Caco Coelho é um dos mais entusiastas estudiosos de Nelson Rodrigues do país e porque este é o primeiro texto dramático do mais importante dramaturgo brasileiro. A cenografia de Vicente Saldanha é belíssima também!




* Por que ver "A TECELÃ"? Porque o trabalho de manipulação de bonecos e de técnica de ilusionismo da peça são impressionantes e surpreendem o espectador minuto a minuto. Além disso, a Caixa do Elefante Teatro de Bonecos é um dos grupos mais importantes do sul do país, quiçá do Brasil, com produções sempre muito elaboradas e invejáveis.




* Por que ver "CINCO TEMPOS PARA A MORTE"? Porque o UTA apresenta um trabalho galgado em princípios da Antropologia Teatral e realiza sua própria versão sobre a morte, tema pesado tratado de maneira delicada.




* Por que ver "CLUBE DO FRACASSO"? Porque é um espetáculo delicioso, que nos faz rir e refletir sobre os nossos próprios fracassos. Sem contar a presença de atores encantadores no elenco, que trabalham com a Patrícia Fagundes há algum tempo e estão cada vez mais à vontade à proposta da diretora.




* Por que ver "DIA DESMANCHADO"? Porque a atuação de Marcelo Bulgarelli foi premiada com o Troféu Açorianos de Teatro de Melhor Ator 2010 e recebeu diversas críticas positivas. E porque, como informa a produção da peça, "as ações do espetáculo foram criadas a partir dos princípios da Biomecânica Teatral do grande encenador russo Vsevolod Meyerhold, sugerindo um gestual não cotidiano, quase grotesco."




* Por que ver "DITOS E MALDITOS"? Porque, simplesmente, a Carlota Albuquerque é uma das maiores coreógrafas gaúchas da atualidade. Ponto. E, além disso, Carlota tem a capacidade de criar espetáculos com "cenários-ambientes" maravilhosos!




* Por que ver "HOTEL FUCK"? Porque é um espetáculo absolutamente original, com dramaturgia própria escrita pelo excelente Diones Camargo. Os atores da Santa Estação orquestram um cenário incrível em marcações e movimentações muito instigantes. Uma miscelânea pop proposta pela Jezebel de Carli, com destaque para as atuações de Denis Gosch, Larissa Sanguiné e Gabriela Greco.




* Por que ver "HYBRIS"? Porque Marcelo Restori, diretor do mítico Falos & Stercus, sempre apresenta espetáculos impactantes em espaços alternativos, tornando-se referência nacional quando falamos e tratamos de espaços não-convencionais.




* Por que ver "WONDERLAND E O QUE M. JACKSON ENCONTROU POR LÁ"? Porque ele é um dos espetáculos gaúchos mais comentados da última década, com sua dramaturgia anárquica e sua trilha sonora inesquecível. Os figurinos de Daniel Lion são impressionantes! O trabalho recebeu 4 Troféus Açorianos de Teatro em 2010, incluindo Melhor Espetáculo e Diretor.


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Gaúchos no Em Cena - comentário

Neste último fim-de-semana, fui conferir dois espetáculos gaúchos que integram a programação do Porto Alegre em Cena 2009: “Teresa e o Aquário” e “O Sobrado” (aos quais não havia conseguido assistir em suas respectivas temporadas...). Excelente é o adjetivo mínimo que eu posso escrever para ambos os trabalhos!

Sob chuva muito chata, cruzei a cidade a me desloquei até o Teatro do CIEE para ver “Teresa e o Aquário”, com direção do João de Ricardo. Como acompanho o trabalho do João desde os primeiros experimentos como diretor no DAD/UFRGS (sendo seu ator inclusive em dois exercícios), posso dizer sem sombra de dúvida, que é o espetáculo mais autoral e maduro dele. Assim como maduras são as interpretações da Sissi e do Lisandro, ambos em seus melhores trabalhos até hoje. Amparados pela dramaturgia do sempre instigante Diones Camargo, a Espaço em Branco nos proporciona um espetáculo nada fácil de assistir e, por isso mesmo, muito arrebatador, intenso e belo. Destaque para as cenas solo do Lisandro com a lâmpada verde (Dinheiro! Dinheiro!) e da Sissi lindíssima com a amarela (“Vazio”). Maravilhosas!

Quanto a “O Sobrado”, uma verdadeira aula de direção. Minha mestra-orientadora Inês Marocco conseguiu extrair da sala do Memorial do Rio Grande do Sul e de alunos do DAD/UFRGS pérolas inimagináveis. Utilizando um elenco de caras novas, todos muito bons (sobretudo o Fiatt e a Izandria, que são excelentes!), Inês consegue nos transportar ao universo de Érico Veríssimo sempre de maneira surpreendente. Tive vontade de levantar e aplaudir várias cenas, tamanha era a minha emoção e choque com a intensidade dramática retirada de elementos muito simples. Parabéns à Inês e à equipe, que nos proporcionaram o melhor espetáculo do ano!

Não vou me aprofundar demais em nenhuma das duas peças porque é obrigação de todos os gaúchos assistirem-nas quando voltarem em cartaz!!!


Em tempo: “O Médico à Força”, do qual integro o elenco, se apresentou no sábado, com casa lotada e recepção muito calorosa! Recebemos críticas ótimas de o quanto havíamos evoluído com o trabalho! Palmas à equipe também!
Em tempo 2: Infelizmente não pude ver “O Bairro” e “Mulheres Fortes em Corpos Frágeis”, nem poderei assistir aos outros gaúchos nessa semana. Mas recomendo a todos os seguidores do Sarcáustico que não percam o teatro daqui!
Em tempo 3: E sábado que vem, os macacos invadirão o Em Cena...

Daniel Colin – aquele que sabe que não é gaúcho

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