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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Breves comentários sobre as "Breves Entrevistas..." - Parte VIII


"(...) Se em Wonderland a espetacularização era quase carnavalesca, até pelo espaço cênico estilo passarela, em Breves entrevistas... o espaço mínimo do Teatro de Arena induz à introspecção, à contenção. Em Wonderland havia o brilho cegante da luz, em Breves entrevistas..., a sombra. Em um espetáculo de 2 horas de duração, é difícil manter o alto nível de interesse, e isso acontece no novo espetáculo. Há momentos de baixa, que felizmente é logo superada pela qualidade e entrega dos atores, e através das soluções simples mas eficientes. Se fosse colocar em apenas uma frase, diria que o Sarcáustico é um grupo que não tem medo de errar, é um coletivo de jovens com ideias interessantes sobre teatro, e que parecem saber colocar esse mundo caótico em que vivemos sobre o palco. É claro que Daniel Colin tem muita responsabilidade sobre o que se viu, sendo ele uma espécie de agregador talentoso, com uma vasta cultura pop (principalmente) e muito antenado ao mundo contemporâneo. Mas a cena emblemática da encenação, em minha opinião, é a primeira, de Johnny Bracinho, interpretada por Rossendo Rodrigues sob a direção de Daniel. Não por ser apenas chocante em sua sinceridade e ironia, mas pelo trabalho de Rossendo, que realmente dá um show. Ricardo Zigomático e Guadalupe Casal completam o elenco, com trabalhos igualmente intensos e de entrega inequívoca. (Atenção para o Ricardo, muito promissor como encenador). O jorro de palavras que se vê sobre o palco confirma aquilo que alguns insistem em negar: que dizer bem um texto é indispensável; e que ação física não é apenas acrobacia e marcações dinâmicas, mas falar, também. E o Teatro Sarcáustico confirma sua posição como um dos grupos mais importantes de Porto Alegre." (Marcelo Adams, ator, diretor e professor da UERGS, via blog Impressões Digitais)


Para ler todo o comentário do Marcelo, clica aqui.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Ser ou não ser SUCESSO?

Espetáculo "Homem que não vive da glória do passado", da Cia. Espaço em Branco (PoA)



Ser ou não ser sucesso. Eis a questão.


Você já pensou o que é sucesso para você?



A partir de hoje, o blog Mais Teatro vai oferecer um aperitivo do debate sobre Sucesso, que dará início à primeira edição do Sessão da Classe.

A cada dois dias serão publicados posts dos convidados e do curador e mediador Renato Mendonça. E você já está convidado a meter a colher, postando opiniões, elogios, críticas, muxoxos e quetais no Mais Teatro.

Quer entender melhor o que vai rolar? Imagine um espetáculo que juntasse Airton de Oliveira, Alexandre Vargas, Camilo de Lélis, Daniel Colin, Eva Schul, Hamilton Leite, Marcelo Adams, Patrícia Fagundes, Roberto Oliveira e Zé Victor Castiel. Sucesso garantido, não é? Pois esse dream team vai se reunir dias 14 e 15 de março, no Teatro Renascença, para discutir justamente o que significa sucesso para o teatro e a dança gaúchos.

A função vai ocupar o palco virtual também: quem não for ao Renascença poderá participar em tempo real das discussões por meio de perguntas e comentários postados no Blog, no Facebook e no Twitter.



Coordenação de Artes Cênicas
Secretaria Municipal da Cultura
PREFEITURA DE PORTO ALEGRE
Av. Érico Veríssimo, 307 - bairro Menino Deus
(51) 3289-8061 / (51) 3289-8062 / (51) 3289-8064
http://www.portoalegre.rs.gov.br/smc

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Daniel Colin por P.R.Berton

Em 2004, eu participei do elenco do espetáculo "Cloud Nine - Muito Prazer", com direção de Paulo Berton, ex-professor meu do DAD/UFRGS. Atualmente, Paulo está em exílio (como ele mesmo intitula) nos EUA, mas já está quase voltando pois acabou de defender a sua tese de doutorado.
Não sei se é o peso do exílio, mas o fato é que ele começou a publicar em seu blog uma série de posts que ele denominou de "BOAS MEMÓRIAS DO TEATRO GAÚCHO" e eis que o último, o de nº. 6, foi dedicado à minha pessoa. Eu, particularmente, fiquei muito feliz com as palavras do Paulo, porque, como ele mesmo disse, a gente raramente concorda em questões estéticas e profissionais, mas ainda assim respeitamos um o trabalho do outro. Além disso, foi demais que as boas memórias do Paulo conseguiram (re)alimentar as minhas boas memórias, criando uma rede de recordações preciosas. Valeu, P.R.!
Abaixo, as palavras do Paulo sobre este que vos escreve:


"Daniel Colin parece ser a nova sensação do teatro gaúcho. Nova? Nem tanto. Desde que atuava nos espetáculos do Depósito de Teatro, ele já dizia a que veio, e a partir de Gordos, ou Somewhere Beyond the Sea, de Nicky Silver, projeto dele de graduação em interpretação no DAD, o cara estourou pra celebridade. Naquele espetáculo, Daniel atuava e dirigia. O visual era impecavelmente minimalista, se limitando às cores verde e branca. A marcação era também calculada e geométrica, apesar da característica intencidade (!?) e vigor das performances. Principalmente da de Daniel. Agora, com o seu grupo teatral, o Sarcáustico, uma regularidade de produção saudável vem se repetindo, com peças como IntenCIDADE, Jogo da Memória, A Vida Sexual dos Macacos e recentemente, Wonderland. Todo mundo cansado de saber que por eu estar no exílio, perdi estes últimos. Mas isso não importa e não prejudica o que eu tenho a dizer desse ator que é um misto de Grotowski, Schechner e Macunaíma. Daniel é glorioso em cena. Se alguém se interessa por teatro físico (um termo imbecil por ser redundante), qualquer atuação de Daniel satisfaz, enchendo os olhos e a alma. Em Dr. QS, Quriosas Qomédias, dirigido pelo Roberto, um dos sacerdotes do teatro gaúcho (calma, vai chegar a vez dele aqui no blog), Daniel estava em todos os lugares do espaço cênico ao mesmo tempo. Tomado pelo espírito mercurial de Puck, ele rolava, escalava, gargalhava, suava e escorria. Com uma physique pra lá de felliniana, o que qualquer performer gostaria de ter, suas múltiplas personagens faziam misérias, sempre com um sorriso sarcástico (ops!) de lambuja. Entretanto, pra mim, Daniel vai estar sempre povoando as minhas boas lembranças como a dobradinha Clive/Cathy no já canônico texto de Caryl Churchill Cloud Nine, Muito Prazer...que eu dirigi em 2004. Antes de começar a babar mais um pouco, faço questão de revelar que ele tem uma ética fora do comum. Mesmo discordando de quase todas as minhas decisões em relação ao texto e a performance, Daniel respeitava e entendia o meu processo de criação. A prova disso era que em nenhum momento eu percebia qualquer dissonância entre a minha estética e o trabalho de ator dele. Quanto às criações de personagem na peça, puta que o pariu, estas sim merecem a posteridade. Clive era o senhor colonial britânico enrijecido, militarizado e eretômano. Cathy era uma menina londrina espoleta, inconsequente e imunda. Pular duma personagem pra outra, com tamanha habilidade, não é pra qualquer um. Em tempos de lástimas por ausências de nomes nas indicações dos prêmios para teatro em Porto Alegre, fica o registro do criminoso desprezo com um trabalho de criação duplo e inebriante. O Clive dele era bárbaro, mas Daniel - que me confessou que adorava fazer Cathy - num vestidinho verde e roxo, cruzando o palco com uma arminha de plástico, ou choramingando porque um outro menino roubou o sorvete dele são cenas que pra quem perdeu, uma lástima. Brinco com ele que por ter sido indicado não-sei-quantas-vezes-já-perdi-as-contas pros tais prêmios Açorianos e Tibicuera da Prefeitura de Porto Alegre, ele é a Sally Field gaúcha. Daniel, porém, prefere ser considerado a Katharine Hepburn dos pampas. Muito justo, pra esse santista exilado que só tem a contribuir pro enriquecimento e engrandecimento do teatro brasileiro."



***Prá quem quiser ler as outras BOAS MEMÓRIAS (no caso, os atores Marcelo Adams,
João de Ricardo, Tiago Real, Sandra Possani e Heinz Limaverde) ou conhecer melhor as elocubrações do P.R.Berton, clica no blog deste germano-gaúcho.

***PS para o P.R.: Queira saber que a tal da Cathy ainda aparece aqui na minha casa, com seu jeito mimado de ser... hehehehe

Leia também!

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